Google, não seja malvado!

O Google foi criado em 1998 por Larry Page e Sergey Brin, mas só neste século se tornou uma corporação forte como é hoje, deixando de ser oferecer apenas um serviço de busca para entrar nas mais diversas áreas.

O lema declarado desde o início pelo Google é "Don't be evil". Mas e quando o lema conflita com a missão de "catalogar tudo", quem ganha? O voto de Minerva parece que é da rentabilidade, como é até esperado, infelizmente, pelas empresas privadas (e parece que até nas públicas, né dona Dilma?).

O Google sempre foi favorável ao Software Livre. O próprio sistema de busca que deu início ao império foi escrito em Python, uma linguagem de programação filha do Software Livre e sem uma grande corporação por trás. Com o tempo, foram diversas contribuições de fato. O Google Code, que oferece recursos para quem quer desenvolver software colaborativamente (um serviço na mesma categoria do SourceForge e do brasileiro Código Livre).

O Google também apoiou bastante o Firefox, recomendando-o em suas páginas. Claro, eles criaram extensões para o Firefox e a versão que se baixava no site deles trazia as extensões já instaladas na raposa. O Google, de todo modo, sempre ajudou o Firefox, até que resolveu criar seu próprio navegador web Chrome. A partir de então, claro que passou a oferecer seu software.

O Google até mesmo criou o Chromium, que é o Google Chrome aberto. Assim, o Google Chrome pode ter suas modificações que atendam ao Google e ficar fechado. O mesmo aconteceu com o Chrome Os. Pouca gente sabe disso (e eu não o conheço verdadeiramente, só sei que existe), mas há o Chromium OS também.

Apesar de todas essas contribuições, a maior talvez seja o Google Summer of Code. Um grande torneio anual onde estudantes universitários encaram desafios de implementação de recursos em softwares livres já existentes. Como uma arena, um torneio, porém não é competitivo. Cada estudante participante tem um prazo para implementar um determinado recurso e ao fim, se conseguir, o Google dá o prêmio. Cada um só compete mesmo com o relógio.

O Google Summer of Code terminou ajudando a alavancar muitos projetos. Muitos features vieram desta iniciativa em grandes projetos como GNOME, VLC, Drupal...

É, meus amigos, o Google sempre foi um forte aliado ao Software Livre, mas nem tudo são flores, porém. Se por um lado ele ajuda, por outro... Bem, vejamos.

Desde que foi lançado, o Gmail é polêmico. Ou melhor, a polêmica parece que só se mostrou mesmo naqueles tempos. A razão é simples: se eu mandar uma correspondência a você, você não é pré-autorizado a divulgá-la, certo? A licença do Gmail fazia o usuário concordar que o Google teria acesso a todos os emails que você recebesse. A coisa chega a tal ponto que, se você apagar uma mensagem, o que você consegue é ter direito a espaço de armazenamento correspondente àquela mensagem, mas a mensagem continuaria existindo para consulta pelo pessoal do Google. Onde está a privacidade? Que uso desse material eles podem fazer hoje e poderão fazer no futuro?

Outra coisa que descobri apenas este ano: se você ativa o Gmail numa conta Google, ele se torna o email padrão de todos os serviços que você utilizava, sem te dar direito de optar por outro.

Ativei o Gmail no começo deste ano apenas para poder falar com contatos que só existem em Gtalk (tem gente assim). Resultado: fiquei por semanas sem acompanhar as listas de email que costumava acompanhar e que estavam sob o Google Groups. Simplesmente porque o Google achou que deveria tornar aquele gmail que eu criava, o padrão para todas elas. Já desfiz a situação excluindo a conta, mas vejam que contratempo.

Tá, isso nem parece tão sério, então vamos ao Android. O Google tem agido de forma um tanto tirânica a seu respeito.

Primeiro, o Android não é Software Livre como o Google prega. Não existe isso de "é software livre, mas não vamos dar o código-fonte desta versão, quem sabe na próxima". Se eles querem agira assim, por que não lançaram um Androidium? A resposta é simples: o controle.

O Google usa o App Market para controlar os fabricantes de celulares. Se o fabricante tomar uma decisão da qual o Google não goste, os usuários daquele aparelho serão barrados ao tentar instalar um software a partir do App Market. Isso é justo? Estamos falando de um software que já domina mais de 50% dos mercados mundiais. E agora o Google comprou a Motorola e não sei até que ponto isso será positivo ou não.

Todos os celulares com Android estão autenticados no App Market. O Google retém informações sobre geolocalização com seu Sistema Operacional sem o usuário ser informado. Isso significa que eles, além de saberem que site você frequenta a partir das buscas, que contatos você tem a partir de emails e Orkuts, que anúncios você clica, o que seus amigos mandam para você por email... Podem saber onde você está em cada momento, seus hábitos também no mundo real, fora da "Matrix".

Você pode dizer "Besteira, é só desativar o App Market?" Claro, e ficar longe da quantidade absurda de softwares disponíveis lá (muitos só se encontram lá, não estando disponíveis para download nem mesmo no site de seus fabricantes), que são um dos maiores argumentos pró-Android.

Digamos que você decida ainda assim desativar o App Market. Ótimo, então não acione o bloqueio de tela por senha ou padrão. Se você fizer isso, vai funcionar muito bem até o dia em que alguém erre a senha ou padrão algumas vezes em sequência. Quando isso acontecer, seu aparelho vai ser bloqueado e só será desbloqueado com a senha da sua conta App Market que está configurada nele (qual?). E nem Hard Reset vai dar jeito.

E aí pergunto: o que eles querem afinal? Estamos confiando demais e botando informação demais nas mãos deles. Eles ajudaram a comunidade (e continuam ajudando), mas já faz um tempo que dão indícios de não levar seu lema tão a sério quando gostaríamos...

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